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Ano XII, Edição n.º 859 Brasília 5 de fevereiro de 2009 - DESEMPREGO CRESCE EM 2009, MAS RENDA SOBE


Ano XII, Edição n.º 859, Brasília 05 de Fevereiro de 2010

DESEMPREGO CRESCE EM 2009, MAS RENDA SOBE
Desocupação no País atingiu 8,1% e a renda do trabalhador subiu 3,2%

Jacqueline Farid O Estado de S. Paulo - 29/01/2010

A crise na economia brasileira em 2009 causou a alta do desemprego, mas não impediu o aumento do poder de compra dos trabalhadores nas seis principais regiões metropolitanas do País. Segundo divulgou ontem o IBGE, a taxa de desocupação no País ficou em 8,1% no ano passado, ante 7,9% em 2008.
O gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, acredita que os efeitos da crise tenham cessado em dezembro, quando a taxa de desemprego ficou em 6,8%, a menor da série histórica mensal iniciada em 2002 e exatamente no mesmo nível de igual mês de 2008.
"Apesar da crise em 2009, o mês de dezembro teve uma taxa de desocupação como em dezembro de 2008. O mês respondeu ao comportamento sazonal; não houve piora em relação a dezembro do ano anterior."
O último mês do ano é marcado pela contratação de trabalhadores temporários em alguns segmentos. Em dezembro de 2009, esse padrão se repetiu. Comércio e serviços foram os principais responsáveis pela queda no desemprego em relação à taxa de novembro.
Segundo Azeredo, a crise econômica provocou a desaceleração na abertura de vagas e perda de ritmo nos avanços no mercado de trabalho em 2009, mas não houve degradação na qualidade do emprego.
Como exemplo dessa qualidade, ele destacou que, na média do ano passado, o rendimento médio real dos trabalhadores aumentou 3,2% ante o ano anterior, variação próxima à ocorrida em 2008 ante 2007, de 3,4%. "O poder de compra não foi afetado pela crise", disse. Na região metropolitana de São Paulo, que responde por cerca de 40% dos ocupados, a renda média real, ante o ano anterior, aumentou mais em 2009 (3,2%) do que em 2008 (2,4%).
Azeredo destacou também que houve continuidade no aumento da ocupação com carteira de trabalho assinada em 2010. Além disso, a população ocupada nas seis regiões cresceu 0,7% em 2009 ante 2008.
O crescimento, porém, foi o menor da série histórica e bem inferior ao apurado em 2009, de 3,4%. A taxa de desemprego cresceu, apesar desse acréscimo, porque o número de desocupados subiu mais de um ano para o outro (1%).
Mas o nível de ocupação (porcentual de ocupados no total da população em idade ativa) também recuou de 2008 (52,5%) para 2009 (52,1%). "A queda no nível de ocupação é significativa e reflete a desaceleração que ocorreu no mercado de trabalho em 2009 por causa da crise", disse.
PERSPECTIVAS
Com a crise deixada para trás e o atual processo de aquecimento da economia, analistas acreditam que 2010 será melhor para o mercado de trabalho do que o ano que passou. O diretor de Integração Acadêmica da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Antonio Freitas, avalia que o aumento do desemprego em 2009 refletiu o cenário de incertezas para os empresários, que preferiram "adotar medidas preventivas", com reduções de custos que incluíram o corte de funcionários.
A partir de agora, ele aposta na queda da taxa de desemprego em relação a 2009. "Haverá novos postos de trabalho no Brasil, sobretudo para aqueles que necessitam de mão de obra qualificada, como o setor de serviços."
Para o analista da Tendências Consultoria Bernardo Wjuniski, "o desempenho do mercado de trabalho deve ser mais consistente a partir do início deste ano, respondendo melhor à recuperação da atividade econômica".
Mas ele acredita que o aumento da procura por vagas poderá pressionar a taxa de desemprego. "As perspectivas favoráveis devem contribuir para que mais pessoas retornem à PEA (População Economicamente Ativa, que reúne ocupados e desocupados)", comentou.

BRASIL TERÁ DE TREINAR 15 MILHÕES DE PESSOAS
Cálculo considera a necessidade de profissionais para os próximos 5 anos

Raquel Landim O Estado de S. Paulo - 25/01/2010
        O Brasil vai precisar qualificar três milhões de trabalhadores por ano durante os próximos cinco anos. O cálculo é do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e inclui formação inicial - para novas vagas - e continuada - para quem já está no mercado de trabalho. O Senai só vai ter condições de atender 70% do total. O restante terá de ser preparado por outras escolas públicas e privadas.
        Segundo a instituição, os setores que demandarão um maior número de pessoas serão construção civil, alimentos e bebidas, vestuário, produtos de metal e máquinas e equipamentos. Em outros segmentos - extração e refino de petróleo, informática e equipamentos de transporte -, a demanda por trabalhadores crescerá acima da média, mas o volume de pessoal empregado é menor.
        De acordo com a diretora de operações do departamento nacional do Senai, Regina Torres, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as descobertas do pré-sal, as Olimpíadas e a Copa do Mundo colaboram para esse cenário. "O desafio é ainda maior, porque as empresas saem dos grandes centros rumo ao interior, o que eleva a demanda por profissionais onde os investimentos são realizados", disse.
        O governo já detectou que a falta de funcionários qualificados será um dos principais gargalos do pré-sal. Por meio do Programa Nacional de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás (Prominp), a Petrobrás está financiando a formação de mão de obra para seus fornecedores.
        Na primeira fase, que termina em março, 78 mil pessoas foram qualificadas. Para a próxima fase, que vai até 2013, a empresa prevê mais 207 mil profissionais. "No início, não conseguíamos preencher as vagas dos cursos, porque as pessoas não atendiam os pré-requisitos de experiência ou conhecimentos básicos", conta o coordenador executivo do Prominp, José Renato Ferreira de Almeida.
        O programa optou por trocar a exigência de experiência por um módulo de estágio nas oficinas das empresas. Também fez uma parceria com os Estados, que ofereceram aulas de reforço escolar em português, matemática e lógica para as pessoas interessadas em prestar as provas do Prominp.
        Na indústria, as dificuldades para preencher vagas já começaram nas indústrias intensivas em conhecimento. O setor de tecnologia da informação está investindo no País e contratando. O Google abriu 50 vagas no Brasil, o equivalente a um quarto do seu quadro atual de 200 funcionários.
        "Estamos buscando engenheiros, mas também profissionais de venda e marketing. Para nós, significa um crescimento agressivo no País", disse a gerente de recursos humanos do Google para a América Latina, Mônica Santos.
        A empresa anunciou as vagas no site no início do ano e já recebeu 3,5 mil currículos. Segundo a gerente de recrutamento do Google, Aline de Lucca, todos os CVs são analisados, mas menos de 5% seguem para as próximas fases da seleção porque não preenchem os requisitos da empresa: bom desempenho acadêmico, fluência em inglês, experiência profissional e adequação à cultura.
        Na Roche Diagnóstica, que produz aparelhos para laboratórios médicos, uma vaga de vendedor de aparelhos de coagulação do sangue está aberta há cinco anos. "No nosso negócio, precisamos de alguém formado em biologia ou farmácia, mas que também entenda de vendas", explicou o diretor de recursos humanos, Maurício Rossi. Ele afirmou que, em média, a empresa leva dois meses e meio para preencher uma vaga.
        Nas montadoras, ainda não existe um problema de falta de mão de obra no chão de fábrica. Com o mercado exportador ainda fraco, as empresas preferem investir no aumento de produtividade do que fazer contratações expressivas. Mesmo assim, o movimento já começou.
        A Ford contratou 200 pessoas para a fábrica de Taubaté e procura 109 engenheiros. "Realmente existe uma demanda maior do que a oferta de engenheiros no mercado. Se o objetivo do Brasil é competir globalmente, as montadoras instaladas no País precisam investir muito em tecnologia", disse o diretor de relações institucionais da Ford, Rogelio Golfarb.
        NEGOCIAÇÕES TENSAS
        Hoje já existe um déficit de mão de obra qualificada importante na construção civil, porque o setor não parou por causa da crise e quase não demitiu. Estima-se que as construtoras vão contratar entre 180 mil (nas contas da indústria) e 250 mil pessoas (conforme o sindicato) este ano. A situação é tensa entre o sindicato e a indústria e as negociações vão ser complicadas até a data-base em maio.
        Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sintracon-SP), Antonio de Sousa Ramalho, falta quase todo tipo de profissional no canteiro de obras: pedreiro, carpinteiro, armador. "Isso nos dá força nas negociações", disse.
        O vice-presidente de Relações Capital e Trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscom-SP), Haruo Ishikawa, nega que exista um problema grave. "Toda a mão de obra sempre foi qualificada no canteiro", disse. Ele acredita que boa parte das contratações será de trabalhadores que hoje estão na informalidade.

PAÍS JÁ ENFRENTA FALTA DE MÃO DE OBRA

Raquel Landim,  O Estado de S. Paulo - 25/01/2010
        O mercado de trabalho foi um dos últimos a se recuperar da crise, mas o medo de perder o emprego já é passado para os brasileiros. Empresas, comércio e serviços não só voltaram a contratar, como falta trabalhadores com qualificação suficiente para preencher vagas. Empresários e analistas temem a repetição do "apagão de mão de obra" de 2008, o que comprometeria o avanço sustentável da economia.
        "Toda vez que o Brasil cresce 4,5% ou mais, falta mão de obra qualificada", disse o professor da Universidade de São Paulo José Pastore, especialista em trabalho. No mercado, prevê-se que o Produto Interno Bruto (PIB) suba de 5% a 6% este ano. O déficit de trabalhadores qualificados é preocupante na construção civil, mas ocorre também no agronegócio, na saúde, em hotéis e até em alguns ramos da indústria.
        Uma estimativa da consultoria LCA, com base no Cadastro Geral de Trabalhadores (Caged) e na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), aponta que o número de brasileiros empregados atingiu 32,28 milhões em novembro de 2009, 1,1 milhão a mais que em outubro de 2008, antes da crise, quando o problema de falta de mão de obra qualificada era grave. Em dezembro, com a demissão dos temporários contratados para o Natal, caiu para 31,87 milhões, 685 mil a mais que antes da crise.
        Há uma diferença entre os setores. Na construção, no comércio e nos serviços, o número de empregados supera o nível anterior à crise. Na indústria, há 289 mil pessoas sem emprego em relação a outubro de 2008. "Tem um estoque de trabalhadores qualificados à disposição no setor", disse o economista da LCA Fábio Romão. Ele prevê que a indústria retomará o nível de antes da crise em meados do ano.
        "Em alguns meses, teremos falta de mão qualificada geral", prevê o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. A situação promete disputas acirradas nas negociações salariais.
        O sócio-diretor da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros afirma que a falta de qualificação da mão de obra aumenta o custo das empresas porque eleva os salários e os gastos com formação. Ele acredita que esse será um fator de pressão para a inflação em 2010.
        No Brasil, existem 8,6 milhões de desempregados, mas falta mão de obra. O problema está na educação. O brasileiro estuda, em média, cinco anos, ante 12 do americano e 11 do japonês. Mas as empresas exigem ensino médio na hora de contratar. "Só contratamos "japoneses", mas os nossos "japoneses" são poucos", disse o diretor de relações institucionais da Confederação Nacional da Indústria, Rafael Lucchesi.
        Para o chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, o problema se "retro-alimenta". "O mercado é o canto da sereia para os jovens, que vão trabalhar sem qualificação suficiente."

CRIAÇÃO DE EMPREGO FORMAL É A PIOR DESDE 2003
Com demissão de 415 mil trabalhadores em dezembro, acima das expectativas, país abriu 995 mil vagas em 2009

Geralda Doca O Globo - 21/01/2010

O mercado de trabalho formal brasileiro fechou 2009 com a criação de 995.110 empregos — o pior desempenho desde 2003, quando foram abertas 645.433 vagas. O resultado (diferença entre admissões e demissões) foi influenciado pelos desligamentos no mês passado, acima das expectativas, de 415.192 trabalhadores com carteira assinada, sobretudo na indústria, revelou ontem o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O número preliminar para dezembro era “acima de 350 mil”, conforme O GLOBO revelou sábado passado. O dado final foi o terceiro maior saldo mensal negativo da série do Ministério do Trabalho, iniciada em 1992, atrás de dezembro de 2008 e de 1998, anos de crise financeira global.
— O número (de dezembro) não é bom. Veio acima das projeções. Mas, no meio da crise, o Brasil ter criado quase um milhão de empregos é muito positivo — defendeu o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

O resultado de dezembro também surpreendeu analistas do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (Depec) do Bradesco, apesar de ser um mês tradicionalmente com saldo negativos devido às rescisões de contratos temporários de trabalho:

        Ministro vê processo de acomodação do mercado
        “O resultado reportado surpreendeu negativamente; esperávamos saldo negativo de 260 mil. Ainda que melhor do que o verificado em dezembro de 2008 (dispensa de 654,9 mil), esse resultado ficou aquém do registrado na média de dezembro entre 2004 e 2007 (-319 mil)”, diz relatório do banco.
        Descontados os fatores sazonais, o documento aponta que houve em dezembro a geração de líquida de 107 mil vagas. Este saldo, no entanto, ficou inferior ao registrado em novembro, que foi de 279,3 mil, dentro da mesma metodologia.
        Lupi atribuiu o resultado de dezembro ao grande aumento das contratações temporárias, além de um processo de “acomodação” do mercado de trabalho, que abriu entre agosto e novembro cerca de um milhão de vagas. Para janeiro o ministro espera um saldo positivo de cem mil empregos. Em igual período de 2009, o país havia perdido 101,7 mil devido aos impactos da crise.

PAÍS CRIA 995 MIL EMPREGOS EM 2009
Resultado frusta governo, que esperava mais de 1 milhão, mas foi surpreendido pelas demissões de fim de ano

Edna Simão, O Estado de S. Paulo - 21/01/2010
        Demissões acima da expectativa no fim do ano frustraram a expectativa do governo de terminar 2009 com a criação de 1 milhão de empregos com carteira assinada. Em vez disso, foram abertos 995.110 postos, o pior desempenho desde 2003 ? primeiro ano da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
        O resultado refletiu a perda de 415.192 vagas somente em dezembro ? número que ficou acima da média normalmente verificada nesse período, sugerindo que a recuperação do mercado de trabalho pode não estar ainda tão consolidada como parecia. De qualquer modo, a perda de empregos foi menor que a verificada em dezembro de 2008, no auge da crise, quando 654.946 vagas foram fechadas.
        O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, amenizou a surpresa negativa de dezembro e a frustração da meta. "No meio de uma crise, conseguir gerar praticamente 1 milhão de empregos é um dado altamente positivo. Mostra a força da economia brasileira", disse ele, durante a apresentação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
        Até um dia antes da divulgação dos dados, Lupi garantia que haviam sido fechadas pouco mais de 300 mil vagas em dezembro, dentro da média verificada no mês. "Eu não esperava que tivesse uma queda tão grande em dezembro", disse. "Mas meu erro é desprezível", avaliou. A perda de postos de trabalho em dezembro só não foi ainda maior porque a contratação de 1,068 milhão de trabalhadores foi um recorde para o mês.
        Na avaliação do ministro, seu objetivo só não foi alcançado porque a contratação de trabalhadores temporários foi mais alta do que em anos anteriores entre agosto e setembro ? algo próximo de 1 milhão ? e as dispensas de fim de ano acompanharam esse ritmo. O economista Fabio Romão, da LCA Consultores, endossou a tese do ministro. Segundo ele, a indústria contrata, em média, 40 mil pessoas nos meses de novembro, mas em 2009 foram 247 mil.
        "Houve um ajuste em dezembro. Novembro teve contratação acima do esperado", explicou Romão. Para ele, além das demissões de temporários, ocorreu também antecipação de contratação de trabalhadores. "Mas o importante é que o mercado de trabalho continua em recuperação", complementou o economista.
        Na expectativa de Lupi, o crescimento da economia brasileira deve garantir mais de 2 milhões de novos empregos neste ano. Isso deve ocorrer porque os setores que sofreram com demissões no fim de 2009, como é o caso da indústria, já estão ampliando as contratações.
        "A indústria de transformação, que fechou 166.040 postos de trabalho em dezembro, já está contratando em janeiro. Provavelmente, será um dos setores que vai puxar o emprego em 2010", destacou Lupi.
        Em dezembro, todos os setores acompanhados pelo Caged - extrativo mineral, indústria de transformação, construção civil, serviços, administração pública e agricultura - demitiram mais que contrataram.
        No ano, no entanto, apenas a agricultura não reverteu o número negativo e fechou 15.369 vagas. Na avaliação das contratações por Estado, São Paulo liderou o ranking de demissões com 191.186 vagas fechadas em dezembro. No ano, no entanto, teve um saldo positivo de 277.573 postos de trabalho.

RECUPERAÇÃO DO EMPREGO PERDE FÔLEGO
Depois do recorde de criação de vagas em novembro, dezembro registra fechamento de postos acima do esperado
2009 fecha com a criação de 995 mil novas vagas, menor número desde 2003; governo fala em 2 milhões de novos postos neste ano

EDUARDO RODRIGUES Folha de S. Paulo - 21/01/2010
        O mercado de trabalho encerrou 2009 com a criação de 995.100 vagas com carteira assinada, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho.
        Após um novembro com criação recorde de vagas para o mês, dezembro registrou queda acentuada devido ao fechamento de vagas temporárias. Assim, o resultado anual foi o menor desde 2003, quando o saldo totalizou 645.433 novos empregos formais.
        O total de admissões no ano passado chegou a 16,187 milhões, enquanto as demissões somaram 15,192 milhões.
        O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que havia previsto 1 milhão de novas vagas em 2009, comemorou o resultado: "Apesar da crise, geramos quase 1 milhão de empregos, eu errei por apenas 5.000, que estatisticamente é praticamente zero percentual", argumentou.
        Mesmo assim, afirmou ele, o Brasil obteve o melhor resultado dentre os países do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo.
        Lupi citou os saldos negativos registrados na Europa e nos Estados Unidos e ponderou que os dados positivos na Índia e na China não podem ser comparados com a realidade brasileira pela ausência de rigor nas legislações trabalhistas.
        Para Anselmo Luis dos Santos, professor do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp, a geração de quase 1 milhão de empregos formais em um ano no qual o PIB deve ficar estagnado é um resultado importante. "Apesar da crise, foi possível continuar a trajetória de redução do peso dos trabalhadores informais e dos autônomos de baixa renda na estrutura ocupacional do Brasil", avaliou.
        No ano, o único setor da economia que registrou saldo negativo foi a agricultura, com o fechamento de 15.369 vagas, em decorrência da retração do comércio global, que dificultou as exportações brasileiras.
        Já o setor de serviços, que foi o menos afetado pela turbulência financeira, foi responsável pela abertura de 500.177 postos, mais da metade dos novos empregos criados no país.
        Apesar do grande volume de demissões no início do ano, a indústria conseguiu encerrar 2009 com saldo positivo de 10.865 vagas, sobretudo na fabricação de produtos alimentícios, voltada para a demanda doméstica, que vem sustentando a atividade econômica.
        Demissões em dezembro
        Ainda assim, no último mês do ano passado, o resultado foi negativo em 415.192 empregos formais. Fatores sazonais como a entressafra agrícola, o término do período escolar e a demissão de temporários no fim do ano geralmente geram saldos negativos em dezembro.
        Mas só no fim de 2008, no auge da crise global, houve maior fechamento de vagas para o último mês do ano.
        Segundo Lupi, a forte rotatividade no mercado de trabalho e o aumento das contratações temporárias para suprir a demanda aquecida no segundo semestre foram as maiores causas para a piora do saldo em dezembro. "Eu esperava um saldo melhor, mas dezembro superou a média negativa, porque durante os quatro meses anteriores houve crescimento nos postos temporários", disse.
        No entanto, como foram registradas 1,068 milhão de contratações em dezembro, recorde para o mês, a estimativa do ministro é de uma reação mais forte em 2010.
        "Em janeiro já vamos enxergar um resultado expressivo, inclusive na comparação com o mesmo mês do ano passado, que ainda foi negativo. Vamos criar 2 milhões de novos empregos neste ano", projetou.

MERCADO DE TRABALHO PÕE ÁGUA NA "FERVURA"

FERNANDO SAMPAIO Folha de S. Paulo - 21/01/2010
Vistos isoladamente, os números do mercado de trabalho formal em dezembro foram, sem dúvida, decepcionantes. Embora no mês final do ano os desligamentos de trabalhadores com vínculo formal de emprego sempre superem as admissões, o saldo negativo apurado pelo governo (415 mil) foi bem maior do que se esperava e do que se verificou, em média, nos demais meses de dezembro desta década (342 mil).

Em todos os grandes setores -serviços, indústria, comércio, construção e agropecuária-, a piora do resultado, na comparação com o mês precedente, foi mais intensa do que costuma ser. A única comparação em que os números do mês passado se mostram positivos é diante do resultado do Caged em dezembro de 2008 -mas este, refletindo a enorme incerteza que então predominava no mundo todo, foi tão ruim (fechamento de 655 mil postos de trabalho) que ficou conhecido pelo trocadilho "traged".
É evidente que avaliar um resultado isolado é pouco prudente. Ainda mais quando um resultado decepcionante foi precedido por um muito melhor do que se antecipava -e foi justamente esse o caso do Caged em novembro.
Quando veio a público que em novembro a criação líquida de empregos formais chegou perto de 250 mil (muito acima da média do mês nos anos anteriores, da ordem de 30 mil), uma parcela dos analistas concluiu que tivera início um processo de aquecimento muito rápido do mercado de trabalho.
Agora é provável que muitos revejam, ao menos em parte, o diagnóstico de que a economia caminha a passos largos para um ponto de "fervura" -um superaquecimento capaz de suscitar, rapidamente, fortes pressões inflacionárias.

        No âmbito específico do mercado de trabalho, mesmo antes da divulgação do Caged de dezembro já havia elementos que sugeriam um processo menos acelerado de aquecimento. Em particular, as pesquisas mensais realizadas nas grandes regiões metropolitanas vêm apurando que o ritmo de crescimento do número de pessoas ocupadas -seja com ou sem vínculo de trabalho formalizado- não vem aumentando de maneira progressiva.
        Para além do mercado de trabalho, outros aspectos sugerem que os riscos inflacionários continuam bastante limitados no curto prazo: ainda há uma margem ampla de capacidade produtiva ociosa em vários ramos da indústria (sobretudo em bens de capital e em bens intermediários, refletindo, entre outros fatores, a timidez da retomada das exportações, depois de um tombo muito severo); a cotação do dólar não revela tendência de alta significativa; as cotações das commodities também não se encontram numa escalada preocupante.
        Mais à frente, a evolução da inflação dependerá de muitos fatores, valendo destacar a velocidade da maturação dos investimentos (e, portanto, da ampliação da capacidade produtiva nos vários setores da economia) e o fôlego da reativação econômica global.
        Setores da indústria que foram desonerados retomam contratação
        Os subsetores da indústria que receberam incentivos fiscais da União voltaram a gerar vagas de forma contínua (contratar mais do que demitir) no último semestre de 2009 -à exceção de dezembro, mês atípico. O movimento é sentido em toda a indústria de transformação -que, apesar da retomada, está 343,2 mil postos aquém do nível pré-crise.
        Segundo o Caged, a indústria de materiais de transporte (inclui autopeças e montadoras) criou 17,7 mil vagas no segundo semestre; nos seis meses anteriores, havia fechado 35 mil. As desonerações para o setor automotivo -que refletem-se sobre uma extensa cadeia, de autopeças a concessionárias- custaram R$ 4,3 bilhões.
        Na indústria de máquinas e equipamentos, cuja desoneração custou R$ 345 milhões em 2009, a melhora no ritmo de geração também é sentida. Os bens de capital compõem, em boa medida, o subsetor de mecânica, que fechou 31,3 mil vagas no primeiro semestre e gerou 17,4 mil no seguinte.
         O subsetor de materiais elétricos -que inclui linha branca, cujas desonerações somaram R$ 434 milhões- gerou 7.900 vagas no segundo semestre, após o saldo negativo de 19,2 mil nos seis meses anteriores.

 

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